domingo, 18 de outubro de 2009

Papo de elevador


Já faz tempo que venho tentando escrever sobre a quantidade de estranhos que conversam comigo sem o menor embaraço... Devo ter um rostinho de pessoa carente e sem amigos!

Um dia desses, saindo do estágio, estava eu atravessando a rua e de repente ouço uma voz... não olhei...mas a voz insistia...


Diminui o passo e ao olhar para trás percebi uma senhora....

-Que tempo hein?! Você acha que vai chover...?
-É...pode ser!
-Maluquice né?
-É...
-Veja bem... isso não é normal, é?! Um calor... depois essa chuva...esse vento...
-É...

a mulher me seguia... fiquei irritada...

Parei no ponto de ônibus e a senhora foi pra outro canto.... Não era um bom dia pra falar sobre o tempo... não comigo! Papinho de elevador...


Falando em elevador...
Elevador do estágio...
-Boa tarde!
-Boa tarde...
-Você é a Jôsy, né?!
-Sim (como assim?!)
-Eu vi sua foto na intranet...
-Ah! Legal...
(2°andar...meu Deus...o 5° demora tanto de vez em quando)
-Mas você é bem mais bonita pessoalmente...
-Ah, nada... mas, obrigada...
(5° andar cadê vc?!)
Eis que nesse dia o elevador decide passar direto pelo 5° andar...
-Meu Deus... por que esse elevador não parou?!
-Você esqueceu de apertar o botão!
-Ah! Que lerda eu! (inacreditável)
-Mas a verdade é que eu acho que você queria ir até o 10° comigo...

------------------------------->No coments<---------------------------

Elevador...um outro dia...
-Olá...Você é a Jôsy?!
-Sim (Preciso tirar a foto da intranet)
-Eu vi sua foto... pensei: impossível ter uma colega de trabalho tão bonita!
-Imagina...
-E com um olhar tão sexy... aquela foto...
a voz do elevador me regatou: -Portaria...
-Você quer carona?!
-Han?! Quer dizer..não...obrigada...
-Aliás, pra onde você vai?! Te dou uma carona!!
(Eu to indo pra casa, você vai pro inferno... vontade não me faltou, masssssssssssssss...)
-Não precisa...estou bem...obrigada...
-Mas eu faço questão...
Rodei a roleta da recepção e nem olhei para trás...


No outro dia substituí a minha foto com olhar sexy (que aliás estava coberto pela franja) por uma borboleta...
Duvido que eu seja reconhecida no elevador... rs






terça-feira, 15 de setembro de 2009

Clarice Lispector


"Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la. Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo. Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar.
P.S. Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num
anúncio a dilacerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar".

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Capitu



Nos auges dos meus 15 anos, lia pela primeira vez: Dom Casmurro - Machado de Assis...
Fiquei fascinada com a história de Capitu e Bentinho... Devorava cada página do livro com tamanha avidez que a noite toda minha cabeça doía.

Minha mãe dizia:
-Larga esse livro menina, parece até que o livro vai fugir!
Mas eu não queria... torcia tanto pelo amor puro e singelo das personagens. Até que...
Até que Bentinho finalmente se revela um ciumento sem remédio.
Fiquei furiosa com tamanha desconfiança porque me via na situação de Capitu que tudo fazia para ficar com seu amado, enquanto ele lhe dedicava a cada dia mais amargura e desconfiança.

Não bastasse aquele ciúme infantil, tudo piora com a morte de Escobar...
Uma lágrima...uma lágrima desencadeia tudo aquilo...
Pensava: Como pode ser??? Burro..ela ama você... aiiii..que ridículo...
Eu tinha apenas 15 anos e já defendia fielmente Capitu. O porquê? Talvez porque sempre abominei o ciúme doentio que enxerga além do que o seu coração sequer sonhou...

Reli a obra Machadiana outras vezes... e um dia, caminhando pela Bienal do livro, em BH, descobri um livro: Capitu, memórias póstumas. Não pensei 2 vezes...comprei o livro!
Encantei-me ainda mais por Capitu!
Qual não foi minha alegria ao ver a rede globo (tá, não sou lá muito fã da emissora que manipula em massa) anunciar a minissérie: Capitu.
Não perdi nenhum capítulo (hoje é o último capítulo) e fiquei impressionada com a fidelidade do diretor... se fechar os olhos é como se estivesse realmente lendo Machado de Assis...

A cena que eu mais esperei foi a do primeiro beijo das personagens... não somente pela inocência do beijo, mas também pela forma como aconteceu... Mágico..ainda mais quando se tem 15 anos!

Hoje, 10 anos depois da primeira leitura que fiz da obra me vejo menina novamente.
A trilha sonora deixa tudo ainda mais perfeito e o cenário rico em detalhes não deixa absolutamente nada a desejar, pelo contrário, enriquece a história... dá corpo a minha fértil imaginação!

Capitu:

"Seus olhos foram definidos por José Dias, “Olhos que o diabo lhe deu... olhos de cigana
oblíqua e dissimulada.”
Bentinho, por sua vez, diria “olhos longos e fixos, sombrios.. Olhos de ressaca...com uma força que arrastava para dentro.”
Capitolina, quando ela se apaixona por ela, é uma morena de 14 anos, cabelos grossos amarrados em tranças, mais mulher do que Bentinho é homem. O desejo que desperta é um mistério, um mar de emoções em que o adolescente sonha mergulhar sem sofrer."




Trecho e fotos retirados do site globo.com/capitu

Enfim, não troco livro algum por minisséries ou filmes, mas não resisti a essa em questão. Não me arrependo...
Como diria José Dias, personagem da obra, é uma obra Belíssima e "deliciosíssima" de se ver!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Saudade



Sinto saudade dos seus olhos que me diziam que era de verdade...
Sinto falta da sua mão na minha enquanto caminhávamos
Sinto saudade da sua cara de bravo quando eu te provocava
Sinto saudade das ligações intermináveis e da voz que ficava cada vez mais baixa
Sinto saudade do que não disse quando estava com vontade de chorar
Sinto falta da sua voz me dizendo: ta muito manhosinha hoje...
Sinto saudade até das broncas fora de hora e do momento em que fazíamos as pazes...
Sinto saudade do seu perfume
Sinto falta de ver filminho bobo e fingir estar com sono só pra que você me abrigasse num abraço...
Sinto saudade de ligar bem cedinho pra você só pra ser a primeira a te dar bom dia!
Sinto saudade das coisas que não dizíamos mas que entendíamos no momento em que nossos olhos se cruzavam...
Sinto falta dos mimos que insistia em me oferecer...
Sinto saudade das palavras sussurradas ao pé do ouvido que me faziam tremer...
Sinto saudade de dar risinhos bobos quando a "nossa" música tocava no rádio
Sinto falta das mensagens no celular que chegavam nos momentos mais inapropriados...
Sinto saudade do seu abraço que parecia curar qualquer mal
Sinto saudade de contar nos dedos os dias pra te rever
Sinto saudade de quando passava horas escolhendo o cartão ideal pro presente ideal
Sinto falta de tudo isso que só aconteceu no mundo das minhas idéias...
Momentos que vivi sozinha no meu quarto enquanto sonhava com a possibilidade do “nós” que jamais se concretizou...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008


Amanheceu...
parece que a noite durou 20 horas!
O primeiro barulhinho que ouço vem do meu pai colocando o dinheiro pela fresta da porta...
Não fosse o fato de eu já estar acordada seria mais uma segunda comum...
não foi... e nunca mais será

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Hábitos e Habitações



Às vezes sinto algo que se assemelha a saudade

Mas, não há como ficar tão saudosa de algo que jamais me pertenceu...

Seu carinho, seu abraço, seu calor!

Sinto seu perfume a todo instantee nem sempre me dou conta do quanto issome conforta, apazigua meu ser,estabiliza meus sentidos...

O pincel que me deram de presente está intacto,a tela está com traços tão indefinidos quanto essas palavras.

O violão que comprei sem ao menos sabero tom do "sol", me aquece nas manhãsescuras do inverno.

O livro que acabo de ler acompanhou meu olhar atentoque você desprezou...

Quanto ao tempo que dediquei a conhecerseus gostos e desgostos, não digo que foi de todo perdido.

Aprendi que o que vemos nem sempre é o que sedeixou escapar, nem sempre é o que se deixou observar.

Tenho hábitos que quase me definem e aresde quem jamais se deixa convencer facilmente....

Quando essa dor insana se desinstalar dos meus arredoresescreverei sobre ela com tinta preta e carvão.

Usarei a tela com poucos traços e assinareisem o menor embaraço com lágrimas me brotarão dos olhos.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Nem tudo que reluz é ouro

Tem pessoas e situações que não combinam...

Já se imaginou frente a frente com uma decisão hiper importante e na hora H a situação foge ao controle sem o menor cabimento?
É nessas horas que penso: não dá mesmo pra confiar em mais nada! Rs
As coisas andaram fugindo das rédeas...
Parecia que tudo estava em seu lugar, mas no meio do ato ouço o grito: "Corta"

Pensei que eu era a diretora desse filme, a escritora do roteiro, a protagonista da cena...
Meu erro foi esse: não era a diretora, muito menos a escritora e o papel da protagonista foi dado a um rostinho menos ameaçador! De volta ao meu eterno papel de coadjuvante...
Odeio personagens perfeitos... por isso me inscrevi pro papel...


Quem diria...

-Volta pra mim???
- Não dá... já não é a mesma coisa... bla bla bla
- Tá!
Meses depois:
-Volta pra mim???
- Poxa... eu queria, mas não dá.
Meses e meses e meses e mortes e outras pessoas depois:
- Volta pra mim?
- Hummmm... vamos tentar nos reaproximar... se der certo, a gente volta...
- Ótima idéia... (Han? Resposta vaga!! já comecei a sentir um ar estranho, mas...)

Dias depois:

- Por que ainda gosta de mim mesmo depois de tanto tempo?
- Ah...porque você é amiga...
- Ah... (que resposta é essa???)
- Aqui, a gente precisa conversar...
- Fala
- Agora não..
- Agora sim... (odéio isso, começou agora fala)
- É que eu to confuso... pedi pra voltar, mas não achei q tanta coisa ia acontecer...
- Han...
- Apareceu outra pessoa...nada certo...mas preciso de um tempo!
- Ok!
- Tá com raiva?
- Não... To cofusa!
- Por favor, não me leve a mal!!
- Ok... (que burra... porque não fiquei calada pelo menos uma vez?)
- Não me trata diferente...
- Ok... (Putz...o q ele queria que eu falasse)
- Se nada for do jeito que eu to pensando eu volto a te procurar e a gente conversa! Não estou namorando ainda... não é nada certo, de verdade!
(aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhh não... aí já é demais.... não segurei)
- Desculpa, mas estou com cara de Step? Você insiste pra voltar e agora vem com essa? Por mim tudo bem... eu queria tentar, mas desse jeito não dá mesmo... Se resolva e não pense que vou estar aqui quando você voltar!
- Não...por favor, você ta entendendo errado...
- Ok...faça o que quiser (eu entendi errado que parte???)




Eu não suporto indecisões desse gênero...
Putz!!! Fala sério...
Vai chupar parafuso pra ver se vira prego!

Revoltada comigo mesma....